5 dicas infalíveis para redação em concursos públicos

Dica de Redação

5 dicas infalíveis para redação em concursos públicos

Fabrício Dutra
Fabrício Dutra Prof. de Língua Portuguesa
19 de set de 2026 7 min de leitura
5 dicas infalíveis para redação em concursos públicos

Uma redação de qualidade começa antes da primeira frase. O planejamento permite selecionar uma tese, definir os argumentos e estabelecer a função de cada parágrafo. Sem essa etapa, o candidato corre o risco de repetir ideias, abandonar argumentos ou chegar a uma conclusão incompatível com o desenvolvimento.

Antes de redigir, faça um esquema simples:

Introdução: apresentação do tema, formulação da tese e anúncio dos dois argumentos;

Desenvolvimento 1: análise do primeiro argumento;

Desenvolvimento 2: análise do segundo argumento;

Conclusão: retomada da tese e apresentação de soluções relacionadas aos argumentos.

Se o tema envolver, por exemplo, dificuldades na efetivação de determinado direito social, o candidato poderá escolher como eixos a omissão do Estado e a falta de conscientização da sociedade. Esses dois elementos devem aparecer na introdução, ser desenvolvidos separadamente e receber respostas na conclusão. Essa organização cria um projeto de texto.

O planejamento também deve considerar o título. Ele só deve ser utilizado quando for solicitado pela banca. Quando exigido, pode funcionar como uma síntese da tese. Uma técnica interessante é a validação dupla, pela qual uma expressão empregada no título é retomada ao final da redação. Essa circularidade reforça a unidade do texto, desde que a retomada seja natural e decorra da argumentação.

A introdução precisa cumprir três funções: contextualizar o tema, problematizá-lo e apresentar os argumentos que serão desenvolvidos.

Ela não deve ser apenas uma apresentação genérica do assunto.

Uma estratégia produtiva consiste em iniciar com um repertório legitimado, como uma lei, um acontecimento histórico, uma pesquisa ou uma ideia formulada por um estudioso. Em temas relacionados a direitos sociais e assistência social, a Constituição Federal de 1988 oferece referências especialmente úteis: o artigo 3º apresenta os objetivos fundamentais da República, entre os quais estão a redução das desigualdades e a promoção do bem de todos; o artigo 6º enumera direitos sociais, como educação, saúde, trabalho, moradia, segurança e assistência aos desamparados; o artigo 194 trata da seguridade social, integrada pela saúde, pela previdência e pela assistência social; o artigo 203 determina que a assistência social seja prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição.

O repertório, entretanto, não pode aparecer como uma frase decorada. Depois de citar a Constituição, o candidato precisa explicar sua relação com o tema. É nesse ponto que pode ser construído o contraponto entre o ideal normativo e a realidade brasileira. Primeiramente, apresenta-se o direito que deveria ser garantido. Em seguida, demonstra-se que esse direito ainda não se concretiza plenamente. Desse descompasso nasce a problematização:

Embora a Constituição Federal assegure determinado direito, sua concretização ainda encontra obstáculos na realidade brasileira.

Depois desse contraponto, deve-se apresentar a tese e anunciar os dois argumentos. A introdução, portanto, pode seguir esta lógica:

A progressão textual ocorre quando o texto avança. Cada parágrafo deve acrescentar uma nova etapa ao raciocínio, aprofundando a discussão iniciada anteriormente. Repetir a mesma afirmação com palavras diferentes não representa progressão.

Se a introdução anunciar dois argumentos, o primeiro parágrafo de desenvolvimento deverá analisar o primeiro, e o segundo parágrafo deverá examinar o segundo. Essa correspondência entre o que foi prometido e o que efetivamente foi desenvolvido demonstra planejamento e coerência.

Cada parágrafo pode ser construído com cinco movimentos:

Tópico frasal: apresentação do argumento;

Explicação: esclarecimento da ideia central;

Fundamentação: utilização de repertório pertinente;

Exemplificação: demonstração concreta do problema;

Fechamento analítico: relação entre o argumento e a tese.

O tópico frasal deve aparecer preferencialmente no início do parágrafo. Expressões como “A princípio” e “Além disso” podem introduzir os argumentos, mas o conector não substitui a ideia central. Depois dele, o candidato precisa indicar claramente o que será discutido.

Os conectivos devem expressar relações lógicas específicas:

acréscimo: além disso, ademais;

oposição: entretanto, contudo;

causa: em razão de, devido a;

consequência: por conseguinte, dessa maneira;

explicação: uma vez que, visto que;

conclusão: portanto, em síntese, assim sendo.

Não basta distribuir conectivos pelo texto. A coesão acontece por meio das palavras que ligam as partes; a coerência depende da relação lógica entre as ideias. Um conector inadequado pode prejudicar o sentido em vez de melhorá-lo.

Argumentar não é apenas apresentar uma opinião. É demonstrar por que determinada ideia é válida e como ela se relaciona com o problema proposto. Por isso, uma boa argumentação reúne afirmação, explicação, repertório, exemplo e análise.

O repertório pode ser constituído por:

Uma citação isolada não comprova o argumento. Se o candidato mencionar um autor, uma lei ou um acontecimento histórico, deverá explicar como essa referência ajuda a compreender o tema. O repertório precisa ser mobilizado, e não apenas reproduzido.

A exemplificação, por sua vez, torna concreto aquilo que poderia permanecer abstrato. Não basta afirmar que existe omissão estatal. É necessário indicar como ela se manifesta: falta de fiscalização, insuficiência de investimentos, descontinuidade de programas, precariedade dos serviços ou dificuldade de acesso da população.

Da mesma maneira, se o candidato apontar a baixa participação social, poderá mencionar a naturalização do problema, a falta de engajamento coletivo, a reprodução de preconceitos ou o desconhecimento dos próprios direitos.

A diferença entre uma análise superficial e uma análise consistente pode ser resumida assim:

Afirmação superficial: O Estado não atua de maneira adequada.
Análise consistente: A insuficiência de investimentos e a descontinuidade das políticas públicas limitam o acesso da população aos serviços, mantendo o direito previsto legalmente distante da realidade social.

A conclusão deve resultar naturalmente da argumentação. Ela não é o espaço para apresentar um terceiro problema ou iniciar uma discussão nova, mas para retomar a tese e responder aos dois argumentos analisados.

Quando a prova exigir uma proposta de intervenção, não basta escrever que “o governo deve tomar providências”. Uma solução consistente deve indicar:

Se o primeiro desenvolvimento tratou da omissão estatal, uma das medidas deverá estar relacionada à atuação do poder público. Se o segundo abordou a falta de conscientização social, a conclusão também deverá propor uma ação educativa, informativa ou comunitária.

As propostas podem envolver investimentos, fiscalização, aperfeiçoamento de políticas públicas, formação profissional, campanhas de conscientização, educação ou participação social. O mais importante é que cada solução corresponda ao diagnóstico apresentado anteriormente.

A conclusão deve, portanto, seguir uma lógica de correspondência:

Quando houver título, a última frase poderá recuperar sua expressão central, concretizando a técnica da validação dupla. Essa retomada fecha o ciclo argumentativo e reforça a unidade do texto.

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Prof. Fabrício Dutra

Prof. Fabrício Dutra

Formado em Letras pela UFRJ, com mais de 16 anos dedicados ao ensino de Língua Portuguesa para concursos públicos. Especialista nas principais bancas do Brasil — CESPE, FGV, Quadrix e mais.

UFRJ · Letras 16+ anos 5.000+ alunos CESPE · FGV · Quadrix

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