A sociedade contemporânea impõe uma hiperconectividade quase inescapável, em que escolher momentos de ausência se tornou um pecado social. Já percebeu que o direito ao silêncio e ao afastamento, antes vistos como momentos naturais da existência humana, agora é interpretado como indício de descaso, desinteresse ou até mesmo afronta.
Vivemos em uma era da “transparência”, na qual a exposição constante e a comunicação ininterrupta são exigências tácitas da vida social e profissional. Aquele salutar espaço para a introspecção, a contemplação e até mesmo a regeneração do espírito, passou a ser visto como um problema a ser corrigido (“Você nem olha mais as minhas mensagens!” / “Você sumiu!” / “Eu te fiz alguma coisa para você sumir?”. A ausência deixou de ser um direito, passou a ser um erro.
Essa lógica está enraizada na transformação do tempo e das relações humanas. Se antes a espera fazia parte da vida, hoje ela é intolerável. A tecnologia que prometia facilitar a comunicação acabou nos escravizando quase que por completo. Estar “ausente” não significa mais estar ocupado ou precisando de um momento para si mesmo; significa falhar na manutenção dessa “essencial” presença digital.
O direito ao silêncio e à ausência precisa ser resgatado como um ato de liberdade. Não responder imediatamente não é negligência; é um ato de autonomia sobre o próprio tempo. Desconectar-se não significa isolamento; Ele é uma reconquista da presença real, do encontro consigo mesmo e com o mundo ao redor.
A pergunta que devemos nos fazer não é por que o silêncio incomoda tanto os outros, mas sim por que aceitamos essa imposição de estarmos sempre acessíveis. A ausência e o silencio também comunicam. Hoje em dia, na era da hiperconectividade, aprender a se ausentar certamente é um dos últimos gestos verdadeiramente revolucionários.

Professor Fabrício Dutra Professor de língua portuguesa há nove anos, formado pela UFRJ. Nasci no Rio de Janeiro, mudei-me para Brasília em 2012, e foi a cidade onde minha carreira começou de verdade. Ministrei aulas de Língua Portuguesa principais cursos preparatórios da capital dos concursos e já ajudei milhares de alunos a conseguirem algo que eles, de certa forma, perderamm impossível: aprender Gramática da Língua Portuguesa e fazer uma em condições reais de passar.