Aprenda a identificar os três tempos do passado, reconhecer suas marcas e compreender as diferenças de sentido mais cobradas pelas bancas examinadoras.
Quando estudamos os tempos verbais do modo indicativo, encontramos três pretéritos: pretérito perfeito, pretérito imperfeito e pretérito mais-que-perfeito.
Os três estão relacionados ao passado, mas não expressam exatamente a mesma ideia. Cada um apresenta uma maneira diferente de situar os acontecimentos no tempo.
Para as provas de concursos públicos, é importante compreender duas características fundamentais:
- A formação verbal: como reconhecer cada tempo por meio de suas marcas.
- O valor semântico: qual sentido o tempo verbal transmite no contexto.
Vamos estudar cada um deles.
1. PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO
O pretérito perfeito do indicativo é utilizado, principalmente, para indicar uma ação concluída no passado.
Isso significa que o acontecimento é apresentado como realizado, independentemente de sua duração.
Observe:
- Ontem, eu cantei durante a apresentação.
- Na semana passada, ele estudou para a prova.
- No ano passado, nós viajamos para o Nordeste.
- Os candidatos resolveram todas as questões.
Em todos os exemplos, as formas verbais indicam acontecimentos passados apresentados como concluídos.
1.1. Como reconhecer o pretérito perfeito?
Uma estratégia interessante é utilizar a lógica temporal.
No pretérito perfeito, não precisamos decorar uma única marca de conjugação. Podemos associar o verbo a expressões que indiquem acontecimentos passados, como ontem, na semana passada e no ano passado.
Vamos utilizar dois verbos como referência: CANTAR e ENTENDER.
| Pessoa | Cantar | Entender |
|---|---|---|
| Eu | cantei | entendi |
| Tu | cantaste | entendeste |
| Ele | cantou | entendeu |
| Nós | cantamos | entendemos |
| Vós | cantastes | entendestes |
| Eles | cantaram | entenderam |
Observe a aplicação:
- Na semana passada, ele cantou.
- No ano passado, ela entendeu o conteúdo.
- Ontem, nós cantamos durante a festa.
Perceba que o tempo verbal apresenta o acontecimento como concluído.
ATENÇÃO PARA A PROVA!
O pretérito perfeito não deve ser identificado exclusivamente pela presença de expressões como ontem ou na semana passada. Essas expressões apenas facilitam a compreensão.
A identificação correta depende da forma verbal e de seu emprego no contexto.
2. PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO
O pretérito imperfeito é empregado para indicar uma ação que acontecia no passado, frequentemente associada à ideia de habitualidade, continuidade ou repetição.
Compare:
- Eu joguei futebol naquele campo.
- Eu jogava futebol naquele campo.
Na primeira frase, o verbo joguei apresenta a ação como concluída. A frase não informa, necessariamente, se essa atividade era habitual.
Na segunda, o verbo jogava sugere que a prática de jogar futebol naquele campo fazia parte de uma rotina no passado.
Portanto, a diferença entre os tempos não está apenas no momento em que a ação ocorreu, mas também na maneira como ela é apresentada.
2.1. As marcas do pretérito imperfeito
Diferentemente do pretérito perfeito, o pretérito imperfeito apresenta marcas regulares que facilitam seu reconhecimento.
A) Verbos da primeira conjugação (-AR)
Os verbos regulares terminados em -AR apresentam a marca -VA-.
Observe:
| Verbo | Pretérito imperfeito |
|---|---|
| Cantar | cantava |
| Estudar | estudava |
| Jogar | jogava |
| Trabalhar | trabalhava |
| Falar | falava |
Exemplos:
- Ele cantava todas as noites.
- O aluno estudava diariamente.
- Nós jogávamos futebol aos domingos.
- Ela trabalhava naquela empresa.
B) Verbos da segunda e da terceira conjugações (-ER e -IR)
Os verbos regulares terminados em -ER e -IR apresentam a marca -IA-.
Observe:
| Verbo | Pretérito imperfeito |
|---|---|
| Entender | entendia |
| Vender | vendia |
| Beber | bebia |
| Partir | partia |
| Assistir | assistia |
Exemplos:
- Ele entendia as explicações.
- O comerciante vendia produtos naquela região.
- Nós assistíamos às aulas diariamente.
- Ela partia sempre no mesmo horário.
ATENÇÃO!
As marcas -VA- e -IA- são características dos verbos regulares. Existem verbos irregulares que apresentam outras formas, como era, tinha e vinha.
2.2. Os sentidos do pretérito imperfeito
Embora seja frequentemente associado à habitualidade, o pretérito imperfeito apresenta outros valores semânticos.
I. Ação habitual no passado
- Quando criança, eu brincava naquela praça.
- Meu pai trabalhava aos sábados.
- Todos os dias, ela caminhava pela manhã.
Nesses exemplos, os verbos indicam acontecimentos que se repetiam no passado.
II. Ação em desenvolvimento no passado
- Quando o telefone tocou, eu estudava.
- Enquanto a professora explicava, os alunos anotavam o conteúdo.
Observe que as ações expressas por estudava, explicava e anotavam são apresentadas em desenvolvimento.
III. Descrição de situações passadas
- A casa era muito antiga.
- O menino estava cansado.
- Naquela época, a cidade tinha poucas ruas.
Nesses casos, o pretérito imperfeito descreve estados ou características de uma situação passada.
RESUMINDO: o pretérito imperfeito pode expressar uma ação habitual, contínua ou uma situação descritiva no passado.
3. PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO DO INDICATIVO
O pretérito mais-que-perfeito é utilizado para indicar uma ação passada anterior a outra ação também situada no passado.
Vamos compreender essa definição por meio de um exemplo:
Quando entrei na faculdade, eu já completara dezessete anos.
Nessa construção, existem dois acontecimentos:
- Completei dezessete anos.
- Entrei na faculdade.
Qual aconteceu primeiro?
O aniversário de dezessete anos.
Portanto, a forma verbal completara indica uma ação anterior à entrada na faculdade.
Essa é a principal característica semântica do pretérito mais-que-perfeito.
3.1. Pretérito mais-que-perfeito simples
O pretérito mais-que-perfeito simples apresenta, regularmente, a marca -RA- átona.
Observe:
| Verbo | Mais-que-perfeito simples |
|---|---|
| Cantar | cantara |
| Estudar | estudara |
| Jogar | jogara |
| Entender | entendera |
| Fazer | fizera |
| Partir | partira |
Exemplos:
- Quando cheguei, ele já cantara.
- Ao iniciar a prova, o candidato já estudara todo o conteúdo.
- Quando a professora explicou o assunto, o aluno já o entendera.
- Antes da reunião, o diretor já fizera o comunicado.
Em todas essas construções, a forma verbal indica um acontecimento anterior a outro momento passado.
CUIDADO COM A ACENTUAÇÃO!
Compare:
- Ele jogara naquela equipe.
- Ele jogará naquela equipe.
Embora sejam semelhantes na escrita, as formas pertencem a tempos verbais diferentes.
Jogara: pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
Jogará: futuro do presente do indicativo.
A diferença também está na tonicidade: em jogara, a sílaba tônica é ga; em jogará, a sílaba tônica é rá.
3.2. Pretérito mais-que-perfeito composto
O pretérito mais-que-perfeito também pode aparecer na forma composta.
Sua estrutura é:
TER ou HAVER no pretérito imperfeito + PARTICÍPIO do verbo principal.
Observe:
| Forma simples | Forma composta |
|---|---|
| Ele cantara | Ele tinha cantado |
| Ele estudara | Ele tinha estudado |
| Ele entendera | Ele tinha entendido |
| Ele fizera | Ele tinha feito |
| Ele partira | Ele havia partido |
Compare as frases:
- Quando entrei na faculdade, eu já completara dezessete anos.
- Quando entrei na faculdade, eu já tinha completado dezessete anos.
As duas construções expressam a mesma relação temporal: o aniversário aconteceu antes da entrada na faculdade.
Na primeira frase, utilizamos o pretérito mais-que-perfeito simples.
Na segunda, utilizamos o pretérito mais-que-perfeito composto.
É importante observar que, na língua portuguesa contemporânea, a forma composta é muito mais frequente na comunicação cotidiana.
Por isso, é mais comum ouvirmos:
Quando cheguei, ele já tinha saído.
Do que:
Quando cheguei, ele já saíra.
As duas construções, entretanto, são gramaticalmente corretas.
4. COMO DIFERENCIAR OS TRÊS PRETÉRITOS?
Observe as seguintes construções:
I. Ele cantou.
O verbo está no pretérito perfeito e apresenta uma ação concluída no passado.
II. Ele cantava.
O verbo está no pretérito imperfeito e pode expressar uma ação habitual ou em desenvolvimento no passado.
III. Ele cantara.
O verbo está no pretérito mais-que-perfeito e, em um contexto adequado, expressa uma ação anterior a outra ação passada.
IV. Ele tinha cantado.
A locução verbal está no pretérito mais-que-perfeito composto e pode apresentar o mesmo valor temporal de cantara.
Observe o quadro comparativo:
| Tempo verbal | Sentido principal | Exemplo |
|---|---|---|
| Pretérito perfeito | Ação concluída no passado | Ele cantou. |
| Pretérito imperfeito | Ação habitual ou em desenvolvimento no passado | Ele cantava. |
| Mais-que-perfeito simples | Ação anterior a outra ação passada | Ele cantara. |
| Mais-que-perfeito composto | Ação anterior a outra ação passada | Ele tinha cantado. |
5. COMO AS BANCAS COBRAM ESSE CONTEÚDO?
As bancas examinadoras costumam explorar os tempos verbais de duas maneiras principais.
5.1. Reconhecimento morfológico
Nesse tipo de questão, o candidato precisa identificar o tempo verbal empregado.
Exemplo:
Durante a infância, o menino brincava diariamente naquela praça.
O verbo brincava está no pretérito imperfeito do indicativo.
Além de apresentar a marca -VA-, a forma verbal expressa uma ação habitual no passado.
5.2. Reconhecimento do valor semântico
Nesse caso, o candidato precisa compreender o sentido que a forma verbal produz no contexto.
Observe:
Quando a equipe chegou ao estádio, o jogo já começara.
O verbo começara indica uma ação anterior à chegada da equipe.
Por isso, está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
A banca também poderia propor a substituição de começara por tinha começado.
Nesse contexto, a substituição preservaria a relação temporal entre os acontecimentos.
5.3. Alteração do sentido pela substituição verbal
Compare:
- Na infância, ele jogava futebol naquele campo.
- Na infância, ele jogou futebol naquele campo.
As duas frases apresentam acontecimentos situados no passado.
Entretanto, a primeira sugere uma prática habitual, enquanto a segunda apresenta a ação como concluída, sem necessariamente indicar repetição.
Assim, a substituição de um tempo verbal por outro pode alterar o valor semântico da construção, mesmo quando ambas as formas estão gramaticalmente corretas.
6. REVISÃO FINAL PARA A PROVA
PRETÉRITO PERFEITO
- Apresenta uma ação concluída no passado.
- Pode ser reconhecido pela conjugação e pelo contexto.
- Exemplos: cantei, cantou, entendi, fez.
PRETÉRITO IMPERFEITO
- Pode indicar ação habitual ou em desenvolvimento no passado.
- Também é empregado na descrição de situações passadas.
- Nos verbos regulares da primeira conjugação, apresenta a marca -VA-.
- Nos verbos regulares da segunda e da terceira conjugações, apresenta a marca -IA-.
- Exemplos: cantava, estudava, entendia, partia.
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO
- Indica uma ação anterior a outra ação passada.
- Na forma simples, apresenta regularmente a marca -RA- átona.
- Na forma composta, utiliza ter ou haver no pretérito imperfeito, acompanhado do particípio.
- Exemplos: cantara, fizera, tinha cantado, havia entendido.
CONCLUSÃO
O estudo dos pretéritos do indicativo exige mais do que a simples memorização das conjugações verbais.
É fundamental compreender o sentido que cada tempo produz no contexto.
Enquanto o pretérito perfeito apresenta uma ação passada como concluída, o pretérito imperfeito pode indicar habitualidade, continuidade ou descrição. Já o pretérito mais-que-perfeito estabelece uma relação de anterioridade entre acontecimentos passados.
Nas provas de concursos públicos, essa distinção é especialmente importante nas questões de reconhecimento verbal, interpretação de textos e reescrita de frases.
DICA FINAL: ao encontrar uma questão sobre tempos verbais, identifique a forma utilizada e, em seguida, observe como o acontecimento é apresentado no contexto. Essa associação entre morfologia e sentido é um dos caminhos mais seguros para resolver questões sobre o assunto.
Prof. Fabrício Dutra
Língua Portuguesa para concursos públicos

Professor Fabrício Dutra Professor de língua portuguesa há nove anos, formado pela UFRJ. Nasci no Rio de Janeiro, mudei-me para Brasília em 2012, e foi a cidade onde minha carreira começou de verdade. Ministrei aulas de Língua Portuguesa principais cursos preparatórios da capital dos concursos e já ajudei milhares de alunos a conseguirem algo que eles, de certa forma, perderamm impossível: aprender Gramática da Língua Portuguesa e fazer uma em condições reais de passar.




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